No Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) Manuel Garcia Filho, em Diadema, essas pessoas se profissionalizam e se preparam para entrar no mercado de trabalho.

Imagine um mundo silencioso. Ou com poucos sons. Que muitas vezes não transmitem uma mensagem. Se você leu isso e achou estranho, talvez não se lembre que essa é a realidade diária de milhões de pessoas surdas ou com alguma deficiência auditiva – 1,18 milhão apenas na região metropolitana de São Paulo, de acordo com dados do Censo de 2010 – que enfrentam inúmeras dificuldades e precisam, todos os dias, superar o preconceito dos ouvintes.

“Oferecemos cursos gratuitos para surdos há 13 anos. Atualmente, são 200 alunos, homens e mulheres normalmente a partir dos 18 anos, que freqüentam aulas nas áreas de educação, logística, manutenção mecânica, tecnologia da informação, entre outros”, explicou o orientador de Prática Profissional, Pedro Wilson Zanuto. Todas as aulas são acompanhadas por intérpretes. A formação para surdos foi uma iniciativa do diretor da unidade, Wagner Innarelli.

Aos 18 anos, Guilherme da Costa, morador de São Bernardo, é um típico adolescente. Irriquieto, inteligente e contestador, adora as redes sociais, não gosta de “ficar em casa entediado” e conseguiu, aos 15 anos, que a mãe e o tio o deixassem sair sozinho. Cheio de autoconfiança, sabe bem onde quer chegar. “Quero me formar no curso técnico de Eletromecânica e trabalhar com elétrica como o meu tio”, falou, por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Não é porque sou surdo que não tenho a capacidade de compreender e aprender as coisas”, faz questão de destacar.

O colega de turma, Marco Antonio dos Santos, já tem a calma que a idade traz. Aos 46 anos, separado e com um filho de 12 anos, está se qualificando para voltar ao mercado de trabalho. De uma geração que não nasceu com internet e smart­phones, Santos relata que a comunicação antigamente era mais difícil, sem as facilidades tecnológicas de hoje em dia. “As vezes, as pessoas ouvintes até querem se comunicar com a gente, mas não conseguem por falta de conhecimento”, contemporizou.

Veterano nos cursos do Senai, Paulo Roberto da Rocha, morador de Mauá de 33 anos, está em sua nona formação na unidade. Rocha anda com a ajuda de muletas, mas nem a distância nem as limitações físicas o desanimam e ele é um dos alunos mais assíduos. “Quero poder trabalhar no Itaú, porque sei que eles têm uma grande atuação na inclusão de pessoas com deficiência”, explicou. Todas as falas foram traduzidas pelo intérprete Felipe Frissi. Filho de um casal de surdos, Frissi tem a Libras como língua materna, e é um dos profissionais que auxiliam os alunos durante o processo de aprendizagem.

Os três estudantes são unânimes ao afirmar que as pessoas surdas devem aproveitar a oportunidade de fazer cursos como os que o Senai oferece para poder aprender, evoluir e ter um bom emprego. “Ficar apenas em casa é muito ruim. Tem que se esforçar, vir fazer os cursos e mudar a vida”, aconselhou Rocha.

Fonte: Diário Regional

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