1fc02-billingueCrianças e jovens portadores de deficiência auditiva encontram educação inclusiva no Colégio Municipal Castelo Branco, em São Gonçalo

Implantada em agosto do ano passado no Colégio Municipal Castelo Branco, no Boaçu, em São Gonçalo, a Educação Bilíngue é esperança de modificação na vida de crianças e jovens surdos. E também na de seus pais. Em menos de um ano, o número de alunos triplicou. Hoje, são 36 distribuídos em três turmas: 1º ano, 2º ano e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
“É um trabalho pioneiro, com a única turma de EJA voltada para jovens surdos. Eles aprendem o conteúdo regular, com foco na Língua Portuguesa, além da linguagem de sinais”, ressaltou Humberto Beethoven, coordenador da Educação Inclusiva da Secretaria de Educação de São Gonçalo.

Moradores do Colubandê, os irmãos Marcos Vinícius e Gladson Vieira, de 17 e 15 anos, respectivamente, contaram que pretendem abrir uma oficina mecânica e relembraram o tempo em que estudavam no Colégio Estadual Pandiá Calógeras, em Alcântara.

Antes da abertura da classe bilíngue no Castelo Branco, eles frequentavam uma turma regular e dependiam de um intérprete para compreender o que o professor explicava.

“Ele diz que quando o intérprete faltava ele ficava perdido sem entender nada, pois o professor não conseguia se comunicar com ele”, revelou Gisele Pontes, coordenadora da classe bilíngue, que entrou na rede municipal de ensino através de concurso para contratar professores intérpretes.

“Havia os intérpretes, mas não havia para quem interpretar, pois os alunos surdos não tinham conhecimento de Libras (Língua Brasileira de Sinais)”, relembrou Gisele.
Para ficar perto da escola, Michell Lima, 15, passa a semana com a avó, no Mutuá, e vai para casa, no Mundel, só quando não tem aula.

“Meu sonho é ser mecânico de moto”, disse.

A turma, com 12 alunos, ainda tem vagas para mais 12. A oportunidade é para jovens a partir de 15 anos.

“Uma das maiores dificuldades é convencer os pais de que seus filhos podem evoluir e não vão conseguir aprender se continuarem assistindo aulas em turmas regulares. Eles acabam não tendo acesso ao aprendizado do conteúdo, não aprendem a Língua Portuguesa e nem a linguagem dos sinais e perdem tempo. Nosso objetivo é resgatar esse tempo perdido”, explicou Gisele.

“Muitas vezes os pais não querem alterar sua rotina e preferem deixar seus filhos em uma escola que seja perto de casa, ainda que lá eles não recebam acompanhamento especial”, lamentou.

Nova vida – Os pais de Nathan Santos Oliveira, 10, não tiveram dúvidas em mudar a vida em função do filho, que está se adaptando à turma onde será alfabetizado. A telefonista Valéria Salvador dos Santos Oliveira, 44, pediu demissão da empresa onde trabalhava há 12 anos e seu marido, o técnico em segurança do trabalho Hamilton Santos Oliveira, 36, passou a trabalhar à noite.

“Moramos no Jardim República e ele estudava a duas quadras de casa, mas quando soubemos que abriria essa turma de classe bilíngue não pensamos duas vezes. Ele já ia à escola há três anos, mas não era um aluno frequente pois a falta de um acompanhamento especial dificultava.”

“Muitas vezes eu ou o pai tínhamos que ficar na sala fazendo papel de professor auxiliar”, contou Valéria, acrescentando que a vida deles foi totalmente modificada com o projeto, que é uma esperança.

Para facilitar o acompanhamento e a comunicação em casa, uma oficina de Libras é oferecida aos pais toda sexta-feira, de 8h às 9h, na unidade de ensino.
O programa de Educação Bilíngue foi o responsável por classificar o colégio na primeira fase do Prêmio Melhores Práticas – Versão 2015, promovido pela Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Fonte: http://www.ofluminense.com.br/pt-br/content/escola-ensina-linguagem-de-sinais

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