Os estudantes são da PUC de Minas Gerais. O objetivo é estimular o interesse de crianças surdas e ouvintes nessa forma de comunicação. Para associação dos surdos de Minas, dispositivo seria um bom recurso para escolas promoverem a inclusão.

Promover a inclusão brincando. É isso que três estudantes de engenharia eletrônica da PUC de Minas Gerais pretendem. Eles criaram uma mão mecânica capaz de fazer o alfabeto em língua de sinais com o movimento dos dedos. O projeto foi iniciado há seis meses. Os estudantes apostam no potencial didático do experimento, como explica um dos alunos responsáveis pelo projeto, Fábio de Jesus.

“Eu acredito que o grande diferencial dessa mão é o fato de ela poder mostrar como são os movimentos por meio dos motores em um protótipo robótico que chama a atenção por si só. Vira uma brincadeira”, explica Jesus.

O equipamento inclui teclado, um microcomputador, cinco motores e uma mão feita de madeira. Quando alguém clica em uma letra do teclado, o microcomputador aciona os motores, que movimentam os dedos, imitando o alfabeto dos sinais. De acordo com o professor da PUC Minas, orientador do trabalho, Mário Buratto, o desafio agora é criar um braço mecânico.

“O próximo passo é começar a criar os movimentos mais complexos. Fazer rotação que a gente não consegue ainda. E para isso a gente vai ter que criar outros mecanismos, que são o punho, braço, o antebraço. Para fazer todas as partes complexas”, diz Buratto.

O presidente da Associação dos Surdos de Minas Gerais, Carlos Saqueto, que é surdo e fala com dificuldade, testou a mão tradutora. Edna Bragança, supervisora da entidade, relatou as impressões do colega.

“Isso com certeza vai ajudar bastante na comunicação e interação entre surdos e ouvintes. Dessa forma, ajuda também para que diminua o preconceito. O ouvinte começa a aprender a língua de sinais e começa a reconhecer a cultura da pessoa surda”, conta Saqueto.

Para Edna, a mão mecânica seria um bom recurso para as escolas promoverem a inclusão.

“Na minha opinião, o projeto é bem interessante para despertar o interesse da crianças surda e ouvinte. Despertar esse amor pela língua de sinais”, diz Edna.

Em uma das turmas do ensino infantil da escola municipal Santa Cruz, em Belo Horizonte, os estudantes de quatro anos aprendem a linguagem dos sinais porque um dos alunos é surdo. A Laiza Rosa e os colegas dela, que são dessa turma, foram os primeiros a experimentar a mão mecânica e aprovaram.

“Eu achei muito bonita. Eu aprendi a fazer o A, o E, o B, a letra U. Aprendi muitas letras. Gostei muito dessa mãozinha”, diz Laiza.

De acordo com dados do IBGE de 2013, 1,1% da população brasileira é surda.

Fonte: CBN