Prefeitura convocou concursados para solucionar o déficit e diz que processo seletivo simplificado está em curso.

Imagine-se em uma aula de química, matemática, ou alguma outra disciplina, sendo ministrada em uma língua que você desconhece. O esforço teria que ser dobrado, triplicado, para que conseguisse entender o que está sendo dito. E seria normal que não compreendesse nada ou se confundisse com algum conteúdo. A realidade é parecida com esta para 26 alunos surdos que estão sem intérpretes de libras na rede municipal de educação de Goiânia.

O estudante do 9º ano Ruan Leocárdio, de 15 anos, é um desses alunos. “A inclusão é mentirosa. Ela não existe. As escolas não estão preparadas para receber o surdo”, disse a dona de casa Altenízia Silva Souza, 37 anos, mãe do adolescente. Além de estar sem intérprete desde o início do ano letivo, Ruan ainda lida com o fato de não ser alfabetizado em português. De acordo com a mãe, o estudante copia o que o professor passa, mas não compreende o que está escrito. “Foram passando ele de ano em ano sem ter alfabetizado.”

No ano passado, Altenízia diz que conseguiu que a escola repetisse o menino de ano, mas quando 2018 teve início Ruan já começou sem intérprete. “Não adiantou nada. Está na semana de prova e ele faz sem saber nada. Fica tentando adivinhar as perguntas”, disse. A negligência, de acordo com ela, se repete quase todos os anos, quando o jovem fica três, quatro meses, sem o profissional em sala de aula. No ano passado, conforme a dona de casa, foram dois meses na espera. Altenízia afirma que o filho foi prejudicado pela forma como foi educado nas escolas municipais. “Como ele vai fazer cursos ou começar a trabalhar se ele não souber ler?”

O problema de falta de servidores todo ano é porque os contratos eram temporários. Assim, todo início de ano alguns contratos venciam e a Secretaria Municipal de Educação (SME) tinha que abrir nosso processo seletivo, o que demorava. Agora, a pasta explicou que foram convocados profissionais para preencherem 30 vagas de intérpretes. O déficit ainda existente será solucionado, segundo a secretaria, por meio de contrato temporário neste semestre. Atualmente, ao todo, a secretaria possui 53 intérpretes de libras e 79 alunos surdos matriculados.

A vendedora Geneliza Mônica Alves Vasconcelos, de 36 anos, passou pelo mesmo problema com sua filha de 14 anos. Alênia ficou seis meses do ano passado sem intérprete em sala de aula. Neste ano ela passou para uma escola da rede estadual e está com o acompanhamento do profissional. “Nenhum surdo vai ser alfabetizado como ouvinte. Precisa de intérprete, porque o aprendizado é diferente”, pontuou a mãe.

De acordo com ela, Alênia tem um bom desenvolvimento e é alfabetizada em português, por isso não teve muitas dificuldades durante o período que ficou sem um intérprete. Ainda assim, o rendimento da aluna caiu em sala de aula e suas notas diminuíram.

Fonte: O Popular

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