Tema da redação do Enem deste ano trouxe novamente a importância do debate sobre educação inclusiva. Mãe conta que há falta de preparo para lidar com os desafios enfrentados pela menina.

O tema da redação do Enem deste ano, ‘Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil’, trouxe novamente a importância do debate sobre educação inclusiva. Em Palmas, a menina Isadora tem desafios diários. Ela tem uma doença que compromete a capacidade física, motora e intelectual. Segundo a mãe dela, Adriana Gomes de Moraes, houve muita dificuldade para matricular a filha em escola pública.

“Eu entrei na lista de espera e esperamos pouco mais de um ano pela vaga. Ai surgiu, efetuamos a matrícula e no ato já colocamos que a criança tem necessidades especiais e o que ela precisa. E mesmo assim quando começaram as aulas, a Isadora teve que voltar para casa porque não tinha cuidadora”, relata a mãe.

Adriana diz que apesar da filha frequentar as aulas percebe que a menina não aprende como deveria. “Não tem uma inclusão real. É aceito na escola, mas não é totalmente incluído. Não tem preparo dos professores. Ela vai, frequenta, mas não é totalmente incluída porque não se importam com essa parte pedagógica”.

A estudante Lara, de 13 anos, é surda. Ela conta com a ajuda da intérprete de Libras Mardila Chayanne durante as aulas. “Tudo que eu sei e tenho ciência de que a Lara já teve contato, que ela aprendeu eu faço a tradução que a professora está fazendo dentro da sala de aula. Quando a Lara não teve contato ou falta algum recurso a gente também faz o trabalho de docência, de ensinar, de tentar preencher um pouco a lacuna”, relata a intérprete.

O mestre em linguística Vinícius Cassiano Linden explica que o maior problema da inclusão educacional é o modelo pedagógico adotado no Brasil e que portanto os professores não devem ser totalmente responsabilizados.

“No Brasil nós só temos um único modelo para acomodar todas as pessoas com deficiência. Isso é muito grave. Nós temos um espaço educacional que a mãe tem a impressão de que a filha não é atendida. Não podemos culpar só os professores, porque o problema na verdade está no modelo de educação inclusiva de hoje”.

Fonte: G1 Globo