Jovem foi abordado enquanto caminhava em quadra residencial em Samambaia Sul. Após tentativa de comunicação, entregou celular e saiu correndo.

No último dia de 2017, um menino de 17 anos que é surdo desceu em uma parada de ônibus diferente da que costumava para ir até a casa dos tios no Distrito Federal e foi assaltado no caminho por um jovem de bicicleta.

Ele foi abordado por volta das 16h40, enquanto caminhava em direção ao condomínio, em Samambaia Sul, onde haveria uma festa de réveillon. Após tentar se comunicar em Libras – segundo a mãe, ele também não fala –, o menino entregou o celular e saiu correndo.

As câmeras de segurança gravaram o momento do furto. “Ele me pediu pra ir na festa na casa dos tios, que de vez em quando ele vai – porque vai pra todo lugar – só que em vez de pegar o ônibus da ‘MN Norte’, que desce na frente, ele pegou o ‘Setor O’, que desce do outro lado, por trás do condomínio”, explicou a mãe, Maria Abadia da Silva.

“Mas disso ele nunca vai estar livre.”

No vídeo é possível ver o instante em que o menino percebe a presença do assaltante. Segundo Maria Abadia, o jovem anunciou o assalto aos gritos, mas como o filho não tem audição, continuou a caminhar com normalidade.

“Meu filho disse que viu uma arma debaixo da camisa dele, mas eu não consegui ver no vídeo. Foi aí que ele entregou o celular.”

Surdo desde os 6 meses de idade por sequela de meningite, o menino sempre foi orientado pela mãe a “nunca reagir” a um assalto. “Sempre disse pra entregar tudo, porque tenho medo dele não perceber alguém anunciando assalto e acontecer coisa pior”, disse ao G1.

“Um drogado não entender [que ele é surdo] e pensar que não está olhando pra trás porque não quer.”

Segundo o tio, que mora na região, ele e o menino foram até a 32ª DP cerca de 20 minutos depois, mas não conseguiram registrar a ocorrência, porque a delegacia estava fechada. Em razão das festividades, acabaram não voltando depois.

“Eu não sei me comunicar muito com ele, quem comunica melhor é a mãe. A gente da família não entende muito de Libras”, contou ao G1.

Falar em Libras
A relação do menino com as pessoas mudou para melhor nos dois últimos anos, segundo a mãe, Maria Abadia, quando ele passou a estudar na Escola Bilíngue de Libras e Português Escrito, em Taguatinga. “No começo ela não aceitou ir, mas eu o conveci de que seria melhor.”

“Agora é que ele tem muitos amigos mesmo. Hoje ele ama a escola, não tem preguiça e gosta muito de ir.”

o método de ensino tradicional, em uma escola pública em Santa Maria, o menino tinha acompanhamento de um intérprete de Libras e, mesmo assim, reprovou algumas vezes.

“Não tem como aprender como quem ouve. Cada ano que passava era um choro. Ele está pra fazer 18 anos e agora que foi pro 9º ano”, disse a mãe.

“Normalmente, na escola pública, eles levam o surdo como se fosse um fardo. Não dá muita importância.”

Agora que o filho está quase ingressando no Ensino Médio, Maria Abadia quer inserí-lo em cursos técnicos para surdos. “Estou querendo colocar ele em culinária e informática, que ele gosta muito. É bom para ocupar o tempo e ele não querer ficar na rua.”

Fonte: G1 Globo

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