Instituição inaugurada em 2016 oferecia intérpretes da Língua Brasileira de Sinais a pessoas com deficiência auditiva da cidade.

Central de Libras de Juiz de Fora, instituição que oferece intérpretes da Língua Brasileira de Sinais a pessoas com deficiência auditiva, permanece fechada por causa da falta de profissionais para prestar serviços à população de surdos. O serviço está suspenso desde o dia 28 novembro.

Em nota, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania informou que o contrato com a empresa que fornecia intérpretes venceu no começo do dezembro e que não foi renovado por falta de interesse da própria empresa. A Secretaria de Desenvolvimento Social disse que não houve notificação do governo sobre a interrupção do serviço.

Para os surdos, a Central de Libras é uma forma de ter acesso a serviços públicos garantidos aos cidadãos, por ser uma maneira dos deficientes se comunicarem com os funcionários públicos que não sabem falar a língua de sinais.

De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, a população de Juiz de Fora com deficiência auditiva é de quase 26 mil pessoasm. Mais de 19 mil delas têm alguma dificuldade, 5.293 com grande dificuldade e 643 possuem perda total da audição.

Os estudantes Hiago Thales Furtado e Carlos Basílio contaram que já usaram o serviço da central muitas vezes e que agendam um intérprete e este os acompanham durante um atendimento, como uma consulta médica ou uma ida ao banco.

A Central de Libras é uma das formas de atender à lei que garante a acessibilidade de pessoas com deficiência auditiva. A presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Valéria Andrade disse que o governo Federal é responsável pelos equipamentos, o Estadual mantém o pagamento dos intérpretes e o Municipal cede o espaço para funcionamento da sede.

“Houve um impasse na negociação entre a empresa que contratava os intérpretes e o Estado. Não houve acordo na questão salarial e, com isso o prazo acabou vencendo, sendo interrompido os serviços que a Central presta à comunidade surda”, afirmou.

Ela disse que um posicionamento já foi cobrado e que aguarda retorno. “Estamos esperando uma resposta o mais rápido possível para que os surdos tenham o direito básico de todo mundo, que é o de se comunicar”, cobrou.

A Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania informou, em nota, que o contrato com a empresa que fornecia dois profissionais intérpretes venceu no começo de dezembro e não foi renovado por falta de interesse da própria empresa. Outro processo de licitação para seleção de uma nova empresa já começou.

Já a Secretaria de Desenvolvimento Social disse que não houve notificação do governo sobre a interrupção do serviço e que aguarda informações para que outras medidas possam ser adotadas, caso seja necessário.

Fonte: G1 Globo

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