A equipe foi derrotada pela Rússia, por 3 x 2 na decisão. A medalha de prata mostra a grande evolução que a modalidade teve no país nos últimos quatro anos.

O Brasil conquistou o vice-campeonato mundial de futsal feminino para surdos, realizado de 20 a 28 de novembro, na Tailândia. A equipe foi derrotada pela Rússia, por 3 x 2 na decisão. A medalha de prata mostra a grande evolução que a modalidade teve no país nos últimos quatro anos. Na edição anterior da Copa do Mundo, as brasileiras terminaram na lanterna e foram derrotadas pelas russas por 23 x 0.

O resultado deste ano foi muito valorizado pelos representantes da Confederação Brasileira dos Desportos de Surdos (CBDS), que se reuniram com o secretário executivo do Ministério do Esporte, Marcos Jorge de Lima, nesta quarta-feira (02.12), em Brasília.

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Para a ex-jogadora e agora vice-presidente da CBDS, Débora Dias, que participou da campanha em 2011, a prata no mês passado teve gosto de ouro. “Há quatro anos, estávamos iniciando e partimos para o Mundial com poucos treinos. Fomos para conhecer. Foi depois que começamos o trabalho com a Confederação. Em 2012 ganhamos o Pan-Americano de Surdos e em 2014 o Sul-Americano”, lembra.

A dirigente destaca que o desenvolvimento do futsal feminino para surdos está diretamente relacionado com o apoio que as jogadoras têm recebido do Programa Bolsa Atleta do Ministério do Esporte. “Quando começamos a receber a bolsa, mais jovens começaram a se interessar pelo esporte. Tivemos condições de treinar uma vez por mês, durante um ano, com o objetivo de irmos bem no Mundial”, afirma Dias. Em 2014, oito atletas da modalidade foram contempladas com o benefício, o que representou um investimento de R$ 170 mil do governo federal no ano.

Surdoatleta brasileira Stefany Krebs foi premiada como a melhor atleta do Mundial
Surdoatleta brasileira Stefany Krebs foi premiada como a melhor atleta do Mundial

Surdoatleta brasileira Stefany Krebs foi premiada como a melhor atleta do MundialO presidente da CBDS, Gustavo Perazzolo, fez questão de mostrar no celular a mensagem que recebeu do treinador da seleção russa, bicampeã mundial, parabenizando pela atuação brasileira e dizendo que o placar da decisão poderia ter sido 3×2 para o Brasil, assim como foi 3×2 para a Rússia. A reunião no Ministério do Esporte serviu para os dirigentes mostrarem o trabalho que está sendo feito no futsal para surdos.

“Viemos pedir um abraço”, brincou Perazzolo, para acrescentar: “O nosso trabalho de formiguinha tem dado resultados e não pode ser desfeito. Estamos em busca de mais reconhecimento e visibilidade”, completou.

A Copa do Mundo de futsal para surdos masculina foi disputada no mesmo período. A seleção brasileira também melhorou a colocação, passando do 11º para o 8º lugar em quatro anos.

Na campanha do vice-campeonato feminino, a equipe anotou 25 gols e sofreu oito. A surdoatleta brasileira Stefany Krebs, natural de Erechim (RS) e com 17 anos, foi premiada como a melhor atleta do Mundial.

» Campanha da seleção feminina:

Brasil 6 x 2 Alemanha
Brasil 8 x 1 Noruega
Brasil 5 x 3 Irã
Brasil 4 x 0 Itália
Brasil 2 x 3 Rússia

» Outras Edições

1996 – Maastricht (Holanda)
Campeão masculino: Bélgica
Campeã feminino: não houve
Brasil: não participou

2007 – Sofia (Bulgária)
Campeão masculino: Ucrânia
Campeã feminino: Alemanha
Brasil: não participou

2011 – Orebro (Suécia)
Campeão masculino: Irã
Campeã feminino: Rússia
Brasil: 11º no masculino e feminino

Gabriel Fialho

Ascom – Ministério do Esporte